quarta-feira, 7 de maio de 2008

Com ou sem crase?

Eu sou adepta do português correto. Não sou tão boa de português, mas gostaria de ser. Sempre que posso, procuro aprender alguma coisa a mais sobre a nossa língua e nossa literatura. Também procuro escrever correto, o melhor possível. Dou tudo de si! (brincadeirinha hehe)

Outro dia me envolvi numa polêmica com um professor daqui. Mas era um professor da Medicina. Quando mandei uma mensagem divulgando cursos à distância, ele me corrigiu, mandando um e-mail dizendo que "à distância" não tem crase.

É claro que eu havia pesquisado antes de colocar aquela crase.

Eu já tinha, inclusive, disparado e-mails para o Departamento de Letras da FFLCH e até para a Academia Brasileira de Letras, para tentar defender o meu direito de colocar crase em "Ensino à Distância".

Acontece o seguinte: em todas as gramáticas que consultei são indicadas como corretas as duas formas de grafia, com e sem a crase. Eu gosto de usar a crase, acho mais bonito. E acho que sem a crase fica vazio, e um pouco ambígüo.

Eis as respostas que obtive, da professora da FFLCH e da ABL:

"Cara Luciana,
Veja a seguinte explicação retirada da "Gramática de usos do português", (Maria Helena Moura Neves, ed. da UNESP, 2000, p. 619):
"O sintagma 'A distância' constrói-se, em princípio, sem artigo antes do nome, embora ocorra também com o artigo:
Os dois irmãos de Carlos se mantinham a distância, de olhos baixos, como se não me tivessem visto.
Geraldo tinha requintada perícia em seguir a distância.
E a primeira coisa que avultava, a distância, era justamente o retrato.
Mesmo à distância, papai percebeu o que estava acontecendo.
Andamos mais um pouco até que pude ver o que já entrevira à distância.
Como vê, a autora abre as duas possibilidades, embora considere o uso sem a crase como preferencial.
Atenciosamente..."
(omiti o nome da professora por mera discrição)

A Academia Brasileira de Letras respondeu ao meu apelo com a seguinte mensagem:

"Resposta :
Tanto o Grande Manual de Ortografia Globo (Luft) quanto o Aurélio XXI indicam, expressamente, a dupla possibilidade da grafia em casos como ensino a ou à distância e outras locuções femininas, mesmo não havendo os dois aa (preposição artigo): à mão, à chave. Mas há quem faça a diferença: ensino a distância (sem especificação da distância) e moro à distância de dois km da cidade (com especificação)."

Há quem faça a diferença.
Mandei essas respostas para o professor da Medicina (cujo nome também omito por discrição), mas ele ainda não está convencido. Ele acha que, já que há quem faça a diferença, eu devo fazer também. Ele acha também que, se o jornal o Estado de São Paulo não usa, eu também não posso usar. Acontece que eu acho que os jornalistas não são parâmetro para mim, afinal, sou graduada na FFLCH (como diz minha filha: prontofalei!), embora em Filosofia e não em Letras.

Agora, faço uma enquete com você, meu querido leitor (absolutamente ninguém): posso ou não posso escrever "ensino à distância" com crase?

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