domingo, 13 de abril de 2008

Universidade pública, gratuita e de qualidade

Eu não vejo mais como ameça à USP a possibilidade dela ser privatizada. Não vejo esta ameaça, sinceramente. A ameaça, para mim, é outra, muito mais grave e prejudicial ao país. Além do que esta mudança já está em curso, na metade do caminho, bem debaixo dos nossos narizes e com o consetimento do povo paulista.
Que a USP tem que ser pública e gratuita, isso é ponto pacífico e tem mesmo que estar à frente no estandarte. Mas a luta premente, sem dúvida, é pela manutenção da qualidade.
A privatização que está em curso agora é a do ensino. Se o povo paulista quer uma universidade gratuita, apenas para se formar de graça para entrar no mercado de trabalho, então é isso que vai acabar obtendo. Mas a USP não é só isso, sua importância é bem maior.
Lembrem-se do que aconteceu ao ensino de segundo grau. No tempo dos meus pais a elite é que estudava nos colégios públicos, que eram os melhores, de maior qualidade, enquanto que os colégios particulares eram mais fracos, para quem não podia entrar. E o que temos hoje? Um quadro terrível que dispensa comentários. Isso é o que está acontecendo com o ensino superior do país. É esse o plano deles. Transformar a USP numa sucata imprestável para os pobres poderem estudar de graça, enquanto as faculdades particulares ganham força. Isto é o que está acontecendo, e se é o que vocês querem, é o que terão.

Comportamento de um palestrante

Se você algum dia for chamado para dar uma palestra, é bom que se limite a falar sobre o assunto pelo qual foi convidado a falar. Não fica nada bonito você se meter a discursar sobre algum outro assunto, do qual não é especialista. A audiência também não foi até lá para ouvir você expressar suas opiniões pessoais a respeito de um assunto que nem faz parte da pauta do dia.
A impressão que dá é que você está se aproveitando de uma abertura que recebeu daquele conjunto de pessoas, para tentar convencê-los de alguma coisa que é opinião pessoal sua.
Além do que, seja modesto. Se não é especialista num assunto, não o aborde, especialmente se estiver dando uma palestra...

Mais do mesmo

Outro dia uma pessoa me falou que leu no jornal duas notícias conflitantes na mesma semana, que demonstrariam como o povo brasileiro está precisando de desenvolvimento.
Ambas as notícias foram na Folha de São Paulo. Eu, acompanhando o raciocínio dessa pessoa (que não é hipotética), li apenas as manchetes, pois não sou leitora da Folha. A primeira notícia era de segunda-feira passada, e dizia que 74% da população da cidade de São Paulo é contra o pedágio urbano. A segunda notícia foi publicada no dia seguinte pelo mesmo jornal. Dizia: "Empresa se prepara para o pedágio urbano". A empresa era a Camargo Correa.
Bom, o que eu pensei na hora foi: Se o povo está contra, é porque não agüenta mais que todas as soluções para os problemas de São Paulo oneram o contribuinte, e que não agüentamos pagar mais taxas. Se a Camargo Correa está a favor, é porque está vislumbrando alguma possibilidade de lucrar com isso, e o fato de 74% da população estar contra a medida, não significa absolutamente nada para os gestores da empresa, para a Folha de São Paulo, e para os funcionários públicos que estão por trás disto.
Mas a conclusão da pessoa não foi essa. Para ele, a empresa sabe que o pedágio urbano é bom, e o povo não sabe. Que o conflito das notícias é uma prova de que o povo precisa ser instruído. Que a empresa Camargo Correa sabe o que é bom, porque é bem informada, e o povo não sabe, porque é burro.
Tenho acompanhado alguns debates sobre o trânsito, mas prefiro aqueles em que há especialistas envolvidos. Especialistas no trânsito de São Paulo são pessoas que moram em São Paulo, e que trabalham diariamente estudando o trânsito de São Paulo e suas soluções, em comparação com o de outras grandes cidades. São pessoas inteligentes e bem informadas, vinculadas à USP. Dos debates que assisti, nenhuma delas em nenhum momento defendeu o pedágio urbano.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Um mol de estrelas

Tá, eu é que vou viajar agora. O número de estrelas no Universo é dez vezes maior que o número de grãos de areia no planeta Terra. Segundo observações, tem no mínimo 10 sextilhões de estrelas, ou 1022, número muito próximo do número de Avogadro, 6,025 x 1023, um mol.

Isso no nosso Universo, e se houver outros?!! Viajei!! :-)

Gastos com cartões corporativos

Se os tucanos são péssimos governantes, são piores ainda como oposição. Fazem uma oposição desesperada, querendo apenas queimar a qualquer custo. Para tudo tem que ter CPI. Legislar, que é bom, nada.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Violência contra a criança

Todo mundo está comentado o caso da menina que foi atirada da janela do sexto andar de um prédio em São Paulo. Confesso que eu também estou acompanhando o caso. Violência contra a criança é um assunto que incomoda bastante, mas talvez não o suficiente.

Temos feito muito pouco. Pessoas que convivem com a gente no dia-a-dia reconhecem que batem, com chinelo, até com cinto, sem o menor constrangimento. Esse tipo de comportamento é aceito pela sociedade. Tem gente que defende a violência doméstica como um jeito de educar. Até os animais têm mais defensores do que as crianças!

A partir dessa permissão, e da aceitação à violência contra a criança, chega-se a acontecimentos absurdos como esse, da Isabela, o da menina que ficou mais de um ano nas mãos de uma mulher sádica em Goiania, da outra menina que ficou presa com 20 homens no Pará, e de tantos outros, só neste ano de 2008, que se eu for relatar não vai ter espaço, além do que acho que vou começar a passar mal aqui.

Eu sou contra a mera palmada. Porque dar palmada em uma criança? Será que a criança que apanha é mais educada que as outras? Acho que não! Acho que a criança é usada como saco de pancada, para os adultos extravasarem suas fustrações.

O que precisa para as pessoas entenderem que a criança tem que ser respeitada? Acho que precisamos amadurecer muito ainda nesta questão. Para quem se interessar, no site do Laboratório de Estudos da Criança (LACRI) da USP, tem bons textos sobre o assunto.