terça-feira, 13 de maio de 2008

Docente bom é docente dando aula

Aqui onde eu trabalho tem duas categorias de funcionários. Tem os docentes e os não docentes (isso é até meio engraçado). Mas o interessante é a diferença de classificação das pessoas. Docentes são classe A e funcionários são classe B. Eu pertenço à segunda classe.

Os docentes têm os melhores salários, os maiores cargos de gestão, a melhor carreira, regime de trabalho diferenciado, e além disso tudo têm todo o tipo de privilégios dentro da instituição. Qualquer docente manda em qualquer funcionário, em qualquer circunstância.

Eles pensam que nenhum funcionário é inteligente, nem culto. Pelo menos não tanto quanto eles. É claro que nem todos pensam assim. Pensam apenas que é preciso manter a hegemonia dos docentes, para garantir a manutenção dos privilégios.

Bem, docentes pensarem assim tudo bem, eles estão no poder há tempos e é natural que queiram se manter. Afinal de contas eles são pessoas normais.

Já os funcionários têm que ter consciência de sua condição e de seu valor.

Só que está cheio de funcionário que também acha que os docentes têm que decidir tudo aqui dentro. Para mim, docente bom é docente na sala de aula e no laboratório. Deixem a gestão para os funcionários.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A bruxa do 71 e o cumprimento da Lei

Minha frase favorita é: "Lei é como salsicha, quem gosta é melhor não saber como são feitas".
Você já viu como se fazem as salsichas? Todo mundo que já viu parou de comer, sério. Eles moem tudo o que é sobra do porco. Vai osso, vai pele, de tudo! E vai jornal também! Quem viu fazer nunca mais come, ou pelo menos demora muitos anos para esquecer.
E lei? Lei é que nem salsicha. Algumas pessoas desempregadas e sem perspectiva, mas com alguma fama, como esportistas depois dos 35, artistas sem talento, pessoas comuns que já tiveram os seus 5 minutos de fama, pastores de igreja evangélica e outros, assim como verdadeiros (raros) políticos, que realmente têm vocação para a carreira legislativa e senso de comunidade, candidatam-se a um cargo legislativo, a maioria pensando no emprego público que paga bem e exige pouco. Pensam em outras coisas também, como o poder e os favores financeiros que esses cargos podem render. O povo, desinteressado e sem saber direito para que servem os vereadores, deputados e senadores, votam, muitas vezes, nos piores tipos. E é a eles que cabe elaborar as leis, e votar em plenário nas leis que entenderem que devam ser implantadas. Já viu né? O que não falta é lei para defender interesses particulares. E todo mundo tem que obedecer.
Quem faz as leis são as classes A e B. Classes C e D só servem para colocar os caras lá. Os interesses que são defendidos não são os dos eleitores. Eu sei o que você está pensando. Mas você está errado(a). Este país é para ser uma democracia.
Tem uma bruaca lá na praia do Bonete em Ubatuba, uma socióloga (na verdade ela fez Filosofia na USP como eu), que já foi uma universitária hippie e que agora é uma dondoca recalcada que quer a praia só para ela. Ela se apóia na lei para proibir a gente de acampar na praia (ou seja, fica ligando que nem uma histérica para a prefeitura de Ubatuba para os fiscais virem intimar os campistas).
Para isso que serve a Lei. Para garantir que a burguesia não vai ter a vista do mar obstruída pelas barracas dos campistas, entre outras coisas do gênero.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Vergonha Nacional

O Tribunal do Júri de Belém do Pará absolveu um dos fazendeiros acusados como mandantes do assassinato, em 2005, da religiosa Dorothy Stang. A religiosa norte-americana trabalhava em defesa da população pobre do Xingu e da preservação da floresta amazônica brasileira.
Este foi o segundo julgamento de Vitalmiro Moura, o Bida, condenado em maio do ano passado a 30 anos de reclusão. O fazendeiro, que estava preso desde 2005, foi libertado após o resultado do julgamento. Foi fundamental na absolvição do fazendeiro a mudança no depoimento de Amair Feijoli da Cunha, o Tato, que parece que levou R$ 100.000,00 para isso.
O promotor informou que vai fundamentar recurso alegando que o resultado do julgamento foi contrário às provas dos autos, que apontavam Bida como mandante do crime.

Não tenho nem palavras. Aliás, nem preciso, pois o Vital Farias disse tudo o que eu queria e muito mais, na música Saga da Amazônia. Segue a letra:

Saga da Amazônia
V
ital Farias

Era uma vez na Amazônia a mais bonita floresta
mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
no fundo d'água as Iaras, caboclos, lendas e mágoas
e os rios puxando as águas

Papagaios, periquitos, cuidavam de suas cores
os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores
sorria o jurupari, uirapuru, seu porvir
era: fauna, flora, frutos e flores

Toda mata tem caipora para a mata vigiar
veio caipora de fora para a mata definhar
e trouxe dragão-de-ferro, prá comer muita madeira
e trouxe em estilo gigante, prá acabar com a capoeira

Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
prá o dragão cortar madeira e toda mata derrubar:
se a floresta meu amigo, tivesse pé prá andar
eu garanto, meu amigo, que o perigo não tinha ficado lá

O que se corta em segundos gasta tempo prá vingar
e o fruto que dá no cacho prá gente se alimentar?
depois tem o passarinho, tem o ninho, tem o ar
igarapé, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é um mar

Mas o dragão continua a floresta devorar
e quem habita essa mata, prá onde vai se mudar?
corre índio, seringueiro, preguiça, tamanduá
tartaruga: pé ligeiro, corre-corre tribo dos Kamaiura

No lugar que havia mata, hoje há perseguição
grileiro mata posseiro só prá lhe roubar seu chão
castanheiro, seringueiro já viraram até peão
afora os que já morreram como ave-de-arribação
Zé de Nana tá de prova, naquele lugar tem cova
gente enterrada no chão:

Pois mataram índio que matou grileiro que matou posseiro
disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro
roubou seu lugar

Foi então que um violeiro chegando na região
ficou tão penalizado que escreveu essa canção
e talvez, desesperado com tanta devastação
pegou a primeira estrada, sem rumo, sem direção
com os olhos cheios de água, sumiu levando essa mágoa
dentro do seu coração

Aqui termina essa história para gente de valor
prá gente que tem memória, muita crença, muito amor
prá defender o que ainda resta, sem rodeio, sem aresta
era uma vez a floresta na Linha do Equador...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O Medo

Um dia desses quero escrever um post bem legal sobre o medo. O maior mal do mundo para mim é o medo. O medo é muito útil, temos que tê-lo. Mas pessoas medrosas demais, covardes demais, me irritam.
Vamos ter mais coragem aí, gente!

Com ou sem crase?

Eu sou adepta do português correto. Não sou tão boa de português, mas gostaria de ser. Sempre que posso, procuro aprender alguma coisa a mais sobre a nossa língua e nossa literatura. Também procuro escrever correto, o melhor possível. Dou tudo de si! (brincadeirinha hehe)

Outro dia me envolvi numa polêmica com um professor daqui. Mas era um professor da Medicina. Quando mandei uma mensagem divulgando cursos à distância, ele me corrigiu, mandando um e-mail dizendo que "à distância" não tem crase.

É claro que eu havia pesquisado antes de colocar aquela crase.

Eu já tinha, inclusive, disparado e-mails para o Departamento de Letras da FFLCH e até para a Academia Brasileira de Letras, para tentar defender o meu direito de colocar crase em "Ensino à Distância".

Acontece o seguinte: em todas as gramáticas que consultei são indicadas como corretas as duas formas de grafia, com e sem a crase. Eu gosto de usar a crase, acho mais bonito. E acho que sem a crase fica vazio, e um pouco ambígüo.

Eis as respostas que obtive, da professora da FFLCH e da ABL:

"Cara Luciana,
Veja a seguinte explicação retirada da "Gramática de usos do português", (Maria Helena Moura Neves, ed. da UNESP, 2000, p. 619):
"O sintagma 'A distância' constrói-se, em princípio, sem artigo antes do nome, embora ocorra também com o artigo:
Os dois irmãos de Carlos se mantinham a distância, de olhos baixos, como se não me tivessem visto.
Geraldo tinha requintada perícia em seguir a distância.
E a primeira coisa que avultava, a distância, era justamente o retrato.
Mesmo à distância, papai percebeu o que estava acontecendo.
Andamos mais um pouco até que pude ver o que já entrevira à distância.
Como vê, a autora abre as duas possibilidades, embora considere o uso sem a crase como preferencial.
Atenciosamente..."
(omiti o nome da professora por mera discrição)

A Academia Brasileira de Letras respondeu ao meu apelo com a seguinte mensagem:

"Resposta :
Tanto o Grande Manual de Ortografia Globo (Luft) quanto o Aurélio XXI indicam, expressamente, a dupla possibilidade da grafia em casos como ensino a ou à distância e outras locuções femininas, mesmo não havendo os dois aa (preposição artigo): à mão, à chave. Mas há quem faça a diferença: ensino a distância (sem especificação da distância) e moro à distância de dois km da cidade (com especificação)."

Há quem faça a diferença.
Mandei essas respostas para o professor da Medicina (cujo nome também omito por discrição), mas ele ainda não está convencido. Ele acha que, já que há quem faça a diferença, eu devo fazer também. Ele acha também que, se o jornal o Estado de São Paulo não usa, eu também não posso usar. Acontece que eu acho que os jornalistas não são parâmetro para mim, afinal, sou graduada na FFLCH (como diz minha filha: prontofalei!), embora em Filosofia e não em Letras.

Agora, faço uma enquete com você, meu querido leitor (absolutamente ninguém): posso ou não posso escrever "ensino à distância" com crase?

terça-feira, 6 de maio de 2008

Outra palestra terrível

Outro dia fui a uma palestra numa conceituada universidade paulista (não a USP). Na verdade, fui saber depois, não era simplesmente uma palestra, e sim um evento de 3 horas, organizado por uma funcionária da Pró-Reitoria de Cultura daquela Universidade, composto por um filme, uma apresentação de dança, uma apresentação musical, um "cofee break" e por fim uma palestra.
Confesso que já fui com um pé atrás, pois sabia que se tratava de uma palestra "motivacional" (leia-se "auto-ajuda" ou coisa parecida). Não acredito na eficácia desse tipo de palestra. A meu ver, o que motiva as pessoas são outras coisas bem mais palpáveis.
Enfim, eu fui, mas não porque quis.
O evento todo foi um desastre. O "filme" eram três: um vídeo medonho do youtube (vai o link aqui, para quem quiser conferir, depois me digam se é ou não de extremo mau gosto), um outro vídeo do youtube que não tinha nada de especial, e finalmente uma apresentação de fotos auto promocionais da pessoa que estava organizando o evento, com um fundo musical gospel totalmente inapropriado ao ambiente universitário.
A dança também era gospel.
Já a música foi uma excelente e deliciosa apresentação de chorinho, por estudantes de música daquela Universidade. Infelizmente a organizadora coroou a apresentação com a seguinte frase: "Vocês estão fazendo um excelente trabalho, vocês poderiam estar na rua se drogando e se prostituindo, mas estão aqui fazendo este excelente trabalho". Ela falou isso mesmo! Por que será? (talvez o jeito que sua cabeça limitada encontrou de tirar algum partido da única coisa decente que aconteceu no evento dela, uma vez que desconhece valor artístico).
A palestra de autoajuda foi terrível, inútil e sem foco. O palestrante aparentava estar desesperado por algum retorno da (mirrada) platéia, quase apática. Foi sofrível.
Acho lamentável ter assistido tais fatos ocorrerem em um ambiente universitário e mais ainda em uma instituição pública. Para mim foi um gasto inútil de tempo e dinheiro públicos. Os dirigentes dessa universidade deveriam prezar um pouco mais pela qualidade dos eventos que são realizados dentro de suas dependências, e mais ainda pela qualidade da formação que estão dando aos seus funcionários (ou será que estão pensando que para quem é, bacalhau basta?).